
Salto tem pior gestão fiscal da região; Indaiatuba e Porto Feliz recebem nota A
Município recebe nota C na Capag do Tesouro Nacional, enquanto Itu fica com B; baixa poupança corrente, e não endividamento, pesa no resultado de Salto
Salto tem a pior gestão fiscal entre os quatro municípios acompanhados pelo Observatório 75. Dados da Capacidade de Pagamento (Capag), divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira (15), mostram que o município recebeu nota C, enquanto Itu ficou com B e Indaiatuba e Porto Feliz obtiveram A.
A base mais recente da Capag utiliza informações disponíveis no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi) em 1º de setembro e tem 2025 como ano-base para todos os municípios. A avaliação considera três indicadores: endividamento, poupança corrente e liquidez.
O resultado de Salto, no entanto, não está relacionado a um endividamento elevado. Nesse quesito, os quatro municípios receberam nota A. O que pesa na avaliação saltense é principalmente a baixa capacidade de gerar poupança corrente.

Endividamento é baixo nas quatro cidades
O endividamento não aparece como problema em nenhum dos quatro municípios. Todos receberam nota A nesse indicador, que relaciona a dívida consolidada à Receita Corrente Líquida (RCL).
Itu apresenta o maior percentual, com 17,01%, seguido por Salto, com 10,21%. Indaiatuba aparece com 3,21%, enquanto Porto Feliz registra apenas 1,67%.
Em valores absolutos, Itu também possui a maior dívida consolidada, de R$ 214,5 milhões. Salto registra R$ 77,7 milhões; Indaiatuba, R$ 75 milhões; e Porto Feliz, R$ 8,8 milhões.
A comparação mostra que a nota C de Salto não pode ser atribuída ao tamanho de sua dívida. Itu apresenta endividamento proporcional maior e, ainda assim, alcança Capag B.
Poupança corrente derruba avaliação de Salto
É no segundo indicador que aparece a principal diferença de Salto em relação aos demais municípios. A poupança corrente mede a relação entre despesas e receitas correntes ajustadas. Quanto maior o percentual, maior é o comprometimento das receitas com as despesas correntes e menor a margem fiscal do município.
Salto registra 97,79% e nota C, resultado acima dos demais municípios. Itu apresenta 89%; Porto Feliz, 85,62%; e Indaiatuba, 85,02% — os três com nota B.
O indicador, porém, não considera apenas o último ano. O cálculo utiliza os três exercícios anteriores, atribuindo pesos de 20% ao primeiro, 30% ao segundo e 50% ao mais recente.
Em Salto, a relação entre despesas e receitas correntes ajustadas caiu de 108,27% em 2023 para 97,95% em 2024 e 93,51% em 2025. Os dados mostram melhora nos dois últimos anos, mas ainda insuficiente para compensar os resultados anteriores no cálculo ponderado.
Em 2023, portanto, as despesas correntes consideradas pelo indicador chegaram a superar as receitas correntes ajustadas do município.
Liquidez coloca Indaiatuba bem à frente
O terceiro indicador da Capag mede a situação de caixa dos municípios em relação às obrigações financeiras. Nesse quesito, a diferença entre as quatro cidades é acentuada.
Indaiatuba registra índice de 43,25% e nota A, seguida por Porto Feliz, com 14,46% e também nota A. Salto apresenta 4,09%, enquanto Itu registra 3,38%; os dois municípios recebem nota B.
A diferença de Indaiatuba aparece também nos valores que compõem o indicador. O município informou R$ 1,08 bilhão em disponibilidade bruta de caixa de recursos não vinculados na base utilizada para o cálculo.
Isso não significa que Indaiatuba tenha R$ 1,08 bilhão disponível livremente para novas obras ou despesas. A metodologia considera compromissos e obrigações financeiras para medir a situação de liquidez. Ainda assim, o resultado mostra uma folga de caixa proporcionalmente muito superior à encontrada nas demais cidades.
A liquidez de Indaiatuba equivale a 43,25% de sua Receita Corrente Líquida, contra 14,46% de Porto Feliz, 4,09% de Salto e 3,38% de Itu.
Capag combina os três indicadores
A Capag é utilizada pelo Tesouro Nacional para avaliar a situação fiscal de estados e municípios que pretendem contratar operações de crédito com garantia da União. A metodologia combina endividamento, poupança corrente e liquidez, analisando solvência, relação entre receitas e despesas correntes e situação de caixa.
Indaiatuba e Porto Feliz receberam nota A no endividamento, B na poupança corrente e A na liquidez, chegando à Capag A. Itu obteve A, B e B, respectivamente, e terminou com Capag B. Salto recebeu A no endividamento, C na poupança corrente e B na liquidez, ficando com Capag C.
A classificação divulgada na base, contudo, não representa uma decisão definitiva do Tesouro sobre uma eventual operação de crédito. O órgão ressalta que o cálculo definitivo é realizado no momento da verificação do cumprimento dos limites e condições para a contratação de empréstimos com garantia da União.
Os dados analisados pelo Observatório 75 integram a base Capag Municípios 2026, atualizada pelo Tesouro Nacional em 15 de setembro de 2026. O levantamento considera as informações disponíveis no Siconfi em 1º de setembro e utiliza 2025 como ano-base para todos os municípios.




