De carros a pimenta: o que Indaiatuba, Itu e Salto vendem ao mundo

Argentina é o principal destino das exportações das três cidades, enquanto Estados Unidos aparecem na segunda posição; produtos revelam diferenças entre os perfis econômicos dos municípios

Automóveis, máquinas pesadas, autopeças, tubos plásticos, pimenta, madeira, papel e produtos químicos. A lista dos principais produtos vendidos ao exterior por Indaiatuba, Itu e Salto revela economias bastante diferentes entre municípios separados por poucos quilômetros — embora os três compartilhem os mesmos dois principais mercados internacionais: Argentina e Estados Unidos. Apesar de aparecer no topo da lista, as exportações de carros de Indaiatuba devem ser reduzidas a zero nos próximos levantamentos, uma vez que a unidade fabril da Toyota no município teve suas atividades encerradas no final de junho.

Entre janeiro e julho de 2026, as três cidades exportaram juntas US$ 786,9 milhões, segundo levantamento do Observatório 75 a partir dos dados do Comex Stat, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Indaiatuba respondeu sozinha por US$ 513 milhões desse montante. Itu exportou US$ 149,8 milhões e Salto, US$ 124,1 milhões.

Mais do que a diferença de valores, porém, a composição das vendas mostra características próprias de cada economia. Enquanto Indaiatuba concentra boa parte das exportações em automóveis e máquinas pesadas, Itu apresenta uma pauta mais pulverizada, na qual a pimenta aparece como terceiro principal produto. Salto, por sua vez, tem painéis de madeira e papel nas primeiras posições.

Os valores são expressos em dólares FOB e os dados municipais do Comex Stat consideram o domicílio fiscal da empresa exportadora. O sistema permite detalhar as informações municipais por produto, país e posição do Sistema Harmonizado (SH4).

Indaiatuba concentra dois terços das exportações em carros e máquinas

A pauta de Indaiatuba é a mais concentrada entre as três cidades.

Os automóveis de passageiros aparecem na primeira posição, com US$ 170,5 milhões exportados nos sete primeiros meses do ano. Logo atrás estão máquinas pesadas, categoria que reúne equipamentos como escavadeiras, carregadeiras, niveladoras e compactadores, com US$ 166 milhões.

Somados, os dois grupos movimentaram US$ 336,5 milhões, equivalentes a aproximadamente 65,6% de tudo o que Indaiatuba exportou no período.

A distância para os demais produtos é significativa. Na terceira colocação aparecem componentes de transmissão e outros componentes mecânicos, com US$ 20,1 milhões. Centrifugadores e equipamentos para filtragem somaram US$ 18,9 milhões, enquanto partes destinadas a máquinas elétricas alcançaram US$ 15,3 milhões.

Os cinco principais grupos de produtos, juntos, responderam por 76,2% das exportações do município.

Os cinco produtos mais exportados por Indaiatuba, Itu e Salto

Argentina compra um terço do que Indaiatuba exporta

A concentração também aparece quando se observam os destinos.

A Argentina adquiriu US$ 172,9 milhões em mercadorias exportadas por empresas de Indaiatuba entre janeiro e julho, o equivalente a 33,7% do total.

Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com US$ 73,6 milhões, ou 14,3%. Depois aparecem Colômbia (US$ 41 milhões), México (US$ 27,5 milhões) e Chile (US$ 26,9 milhões).

Os países latino-americanos, portanto, ocupam quatro das cinco primeiras posições entre os maiores compradores de produtos exportados pelo município.

Autopeças lideram em Itu, mas pimenta aparece em terceiro

Itu apresenta uma composição bastante diferente.

As partes e acessórios para veículos lideraram as exportações, movimentando aproximadamente US$ 34 milhões. Muito perto aparecem tubos e conexões de plástico, com US$ 32,8 milhões.

O dado mais curioso surge na terceira posição.

A pimenta, incluindo produtos do gênero Piper e pimentos secos, triturados ou em pó classificados nessa posição do Sistema Harmonizado, movimentou US$ 8,2 milhões em exportações.

O valor supera o registrado por bombas, compressores e ventiladores, que somaram US$ 7 milhões, e por preparações alimentícias, com US$ 6,5 milhões.

É justamente essa combinação que torna a pauta ituana peculiar: produtos ligados às cadeias automobilística e industrial convivem entre os maiores itens exportados com alimentos.

Os cinco principais produtos representam aproximadamente 59,1% dos US$ 149,8 milhões exportados por Itu no período, participação bem inferior aos 76,2% registrados em Indaiatuba.

Argentina responde por quase 38% das vendas de Itu

Se a pauta de produtos é mais diversificada, o destino das exportações de Itu apresenta forte concentração.

A Argentina comprou US$ 56,3 milhões, ou 37,6% de tudo o que as empresas do município exportaram nos primeiros sete meses do ano.

Os Estados Unidos aparecem novamente na segunda colocação, com US$ 17,6 milhões. Colômbia e Chile praticamente empatam, com US$ 12,6 milhões cada, seguidos pelo Paraguai, com US$ 8,4 milhões.

Somente Argentina e Estados Unidos receberam quase metade das exportações ituana no período.

Madeira e papel colocam Salto em outro perfil exportador

Salto apresenta uma terceira configuração.

O principal produto exportado pelo município foram painéis de fibras de madeira, responsáveis por US$ 21,8 milhões. Papel e cartão aparecem em seguida, com US$ 16,3 milhões.

Na terceira posição estão bombas para líquidos, com US$ 11,5 milhões, seguidas por hidrocarbonetos cíclicos, com US$ 10,2 milhões, e preparações químicas utilizadas, entre outras aplicações, em processos de lavagem, com US$ 6,9 milhões.

Os cinco produtos movimentaram juntos cerca de US$ 66,7 milhões, correspondentes a 53,8% das exportações de Salto.

O resultado reforça uma característica já observada pelo Observatório 75 na análise da balança comercial dos três municípios: embora Salto tenha uma estrutura industrial relevante, seu comércio exterior possui escala menor e composição diferente daquela observada principalmente em Indaiatuba.

Salto é menos dependente da Argentina

Também há uma diferença importante nos destinos.

A Argentina continua na primeira posição, mas sua participação é consideravelmente menor: foram US$ 24,4 milhões, equivalentes a 19,7% das exportações de Salto.

E os Estados Unidos aparecem muito próximos, com US$ 22,8 milhões, ou 18,4%.

A diferença entre os dois principais mercados é de apenas US$ 1,6 milhão.

Depois deles, o mapa das exportações saltense se torna ainda mais diferente. A Índia ocupa a terceira posição, com US$ 10 milhões; o México aparece em quarto, com US$ 8,8 milhões; e o Japão, em quinto, com US$ 5,4 milhões.

De Argentina a EUA: veja quais são os principais destinos das exportações de Indaiatuba, Itu e Salto

Argentina e Estados Unidos são os principais mercados das três cidades

Apesar das diferenças entre os produtos exportados, existe uma coincidência importante: Argentina e Estados Unidos ocupam, respectivamente, o primeiro e o segundo lugar entre os destinos das três cidades.

Juntas, Indaiatuba, Itu e Salto venderam aproximadamente US$ 253,6 milhões para a Argentina entre janeiro e julho. Para os Estados Unidos foram cerca de US$ 114 milhões.

Isso significa que praticamente um terço dos US$ 786,9 milhões exportados pelas três cidades teve como destino apenas a Argentina.

Os números também ajudam a dimensionar a exposição regional ao mercado norte-americano em um momento de mudanças na política comercial dos Estados Unidos. Como mostrou reportagem anterior do Observatório 75, os efeitos das novas barreiras tarifárias sobre a indústria regional ainda precisarão ser acompanhados nos próximos meses.

A composição das exportações mostra, entretanto, que eventuais alterações nas relações comerciais não atingiriam os três municípios da mesma maneira. Indaiatuba depende fortemente de grandes produtos industriais; Itu combina indústria e alimentos e apresenta maior dependência proporcional do mercado argentino; e Salto distribui suas vendas por uma pauta e um conjunto de destinos relativamente mais diversificados.

Em comum, as três cidades mostram como um território geograficamente próximo pode participar do comércio internacional por caminhos bastante diferentes.

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