Salto tem 82 fechamentos de empresas para cada mil ativas — o maior índice da região

Município registrou 1.602 encerramentos de janeiro a julho; em números absolutos, Indaiatuba lidera a região, com 3.756 empresas fechadas no período

O fechamento de empresas em Salto avançou nos primeiros sete meses de 2026 e, proporcionalmente ao número de negócios em atividade, atingiu o maior índice entre as quatro cidades acompanhadas pelo Observatório 75. Foram 1.602 empresas encerradas entre janeiro e julho, o equivalente a 82,2 fechamentos para cada mil empresas ativas no município.

O cálculo considera as 19.489 empresas atualmente ativas em Salto. Na sequência aparecem Indaiatuba, com 78,4 fechamentos para cada mil empresas ativas; Itu, com 73,2; e Porto Feliz, com 70,8.

Em números absolutos, porém, o cenário é diferente. Indaiatuba lidera os encerramentos, com 3.756 empresas fechadas nos sete primeiros meses de 2026. Itu contabilizou 1.924 baixas e Porto Feliz, 552.

Os dados são do Mapa de Empresas e consideram o período de janeiro a julho de 2026. O indicador de fechamentos por mil empresas ativas foi calculado pelo Observatório 75 para permitir uma comparação proporcional entre municípios com bases empresariais de tamanhos diferentes.

Salto tem maior índice de fechamentos proporcionais

Fechamento de empresas em Salto cresce 16,9%

O número de empresas fechadas aumentou em todas as quatro cidades na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em Salto, os encerramentos passaram de 1.370, entre janeiro e julho de 2025, para 1.602 neste ano, crescimento de 16,9%.

A maior alta percentual, no entanto, ocorreu em Indaiatuba. O município passou de 3.049 para 3.756 empresas fechadas, avanço de 23,2%.

Em Porto Feliz, os encerramentos aumentaram de 474 para 552, alta de 16,5%. Itu apresentou o menor crescimento: de 1.801 para 1.924 empresas fechadas, avanço de 6,8%.

Somadas, as quatro cidades registraram 7.834 encerramentos de empresas entre janeiro e julho de 2026, contra 6.694 no mesmo intervalo de 2025. O aumento regional foi de aproximadamente 17%.

Mais empresas fecham, mas aberturas também crescem

O aumento dos encerramentos não ocorreu isoladamente. As quatro cidades também registraram crescimento no número de empresas abertas em 2026.

Foram 14.370 novas empresas de janeiro a julho deste ano, ante 12.306 no mesmo período de 2025 — aumento de 16,8%.

Aberturas e fechamentos de empresas — jan. a jul. de 2025 e 2026

Salto passou de 2.529 empresas abertas para 2.930, crescimento de 15,9%. Itu avançou de 3.103 para 3.473, alta de 11,9%.

Indaiatuba abriu 6.950 empresas nos sete primeiros meses de 2026, contra 5.853 no ano passado, aumento de 18,7%. Porto Feliz apresentou o maior crescimento proporcional das aberturas: de 821 para 1.017 empresas, avanço de 23,9%.

Economista vê fortalecimento e maior rotatividade

Para Marcos Antônio Canhada, professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade de Sorocaba (Uniso), os números indicam que dois movimentos estão ocorrendo simultaneamente na economia regional.

De um lado, o crescimento das aberturas revela maior disposição para empreender, expansão dos pequenos negócios e uma economia mais ativa. Do outro, o aumento dos fechamentos evidencia maior rotatividade empresarial.

“Muitas empresas entram no mercado, mas uma parcela relevante não consegue se manter ativa e eficiente”, afirma Canhada.

Segundo o professor, esse comportamento pode aparecer em economias em expansão e não deve ser interpretado apenas como um sinal de deterioração da atividade econômica.

Entre as possíveis explicações estão oportunidades geradas por um cenário econômico mais favorável, a facilidade crescente para abertura de pequenos negócios e a maior participação de microempresas e microempreendedores individuais.

Ao mesmo tempo, a baixa barreira para entrada não significa facilidade para permanecer no mercado.

Para o economista, a concorrência crescente aumenta a disputa por consumidores e pode afetar principalmente negócios menos estruturados. Há ainda situações nas quais o fechamento do CNPJ não significa necessariamente o desaparecimento da atividade econômica.

Empresas podem encerrar um cadastro para alterar o enquadramento, mudar a atividade exercida ou migrar do MEI para outra natureza jurídica.

“Criação e destruição de empresas ocorrem simultaneamente”, resume Canhada.

Salto apresenta maior fragilidade proporcional

A diferença entre Salto e Indaiatuba também precisa ser analisada levando em consideração o tamanho das economias municipais.

Indaiatuba possui 47.916 empresas ativas, mais que o dobro das 19.489 existentes em Salto. Dessa forma, seu número absoluto de 3.756 encerramentos está relacionado também a uma base empresarial significativamente maior.

Já Salto, apesar de registrar menos da metade das baixas de Indaiatuba, apresenta a maior quantidade de fechamentos em relação ao número de empresas atualmente ativas.

Canhada avalia que os 82,2 encerramentos para cada mil empresas indicam uma maior fragilidade relativa na permanência dos negócios no mercado local.

O indicador utilizado pelo Observatório 75, contudo, não corresponde a uma taxa oficial de mortalidade empresarial. Ele relaciona o número de empresas fechadas entre janeiro e julho ao estoque atual de empresas ativas para permitir a comparação entre municípios de portes diferentes.

Saldo empresarial continua positivo

Apesar do crescimento dos fechamentos, nenhuma das quatro cidades terminou o período com saldo negativo entre empresas abertas e encerradas.

Em Salto, foram 2.930 aberturas contra 1.602 fechamentos, resultando em saldo positivo de 1.328 empresas.

Indaiatuba apresentou o maior saldo: 3.194 empresas. Itu teve resultado positivo de 1.549, enquanto Porto Feliz acrescentou 465 empresas.

Na soma regional, o saldo passou de 5.612 empresas entre janeiro e julho de 2025 para 6.536 no mesmo período de 2026, crescimento de aproximadamente 16,5%.

Para Canhada, os números mostram que o desenvolvimento econômico não deve ser medido apenas pela capacidade de criar novas empresas, mas também pela permanência desses negócios ao longo do tempo.

O professor destaca a importância de políticas voltadas à melhoria da gestão empresarial, infraestrutura, acesso ao crédito, tecnologia, inovação e suporte técnico aos empreendedores como instrumentos para aumentar a sustentabilidade dos negócios.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *