Após paralisação da Toyota, exportações de Porto Feliz caem 61%

Venda de motores ao exterior praticamente desapareceu depois do temporal que atingiu a fábrica da montadora em setembro do ano passado; importações do município também recuaram 31%

As exportações de Porto Feliz caíram 61,1% entre janeiro e julho deste ano na comparação com o mesmo período de 2025. Dados do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que as vendas do município ao exterior passaram de US$ 73,4 milhões para US$ 28,5 milhões no período.

Exportações e importações de Porto Feliz entre janeiro e julho de 2025 e 2026

A forte retração ocorre após a interrupção das atividades da fábrica de motores da Toyota, atingida por um temporal com chuva intensa e fortes rajadas de vento em 22 de setembro do ano passado. Os danos provocaram a paralisação da unidade de Porto Feliz e afetaram também a produção de veículos da montadora em outras fábricas no Estado.

Os números do comércio exterior do município evidenciam a dimensão do impacto. Até setembro de 2025, Porto Feliz mantinha exportações mensais geralmente próximas ou superiores a US$ 10 milhões. Naquele mês, foram vendidos US$ 14,3 milhões ao exterior, o maior resultado do segundo semestre.

Em outubro, primeiro mês integralmente posterior ao temporal, o valor caiu para US$ 5,6 milhões. Em novembro foram US$ 3,9 milhões e, em dezembro, US$ 3,8 milhões.

A mudança fica ainda mais evidente quando analisadas especificamente as exportações de motores de pistão de ignição por faísca, classificação SH4 8407 utilizada pelo Comex Stat. O sistema permite detalhar as estatísticas municipais por grupos de produtos em nível SH4.

Em setembro de 2025, Porto Feliz exportou US$ 9,28 milhões desses motores. No mês seguinte, o valor caiu para US$ 1,55 milhão, uma retração de 83,3%. Em novembro, as exportações foram de apenas US$ 1,4 mil. Em dezembro, não houve registro de exportação desse grupo de produtos.

Queda das exportações de motores de Porto Feliz após temporal na fábrica da Toyota

O comportamento coincide com a paralisação da unidade da Toyota. A fábrica de Porto Feliz era responsável pela produção de motores utilizados pela operação brasileira da montadora. Após os danos, a Toyota precisou recorrer a motores e componentes produzidos em unidades do exterior para retomar gradualmente a fabricação de veículos em Sorocaba e Indaiatuba.

A própria Toyota informou, no início de outubro de 2025, que a retomada das operações em Porto Feliz ainda não tinha prazo definido devido à extensão dos danos. Enquanto isso, a produção de veículos nas demais unidades seria retomada com apoio da matriz e de outras fábricas da companhia no mundo.

Queda vai além das exportações

O efeito aparece também nas importações de Porto Feliz.

Entre janeiro e julho de 2025, as empresas estabelecidas no município importaram US$ 159,2 milhões em mercadorias. No mesmo período deste ano, foram US$ 109,5 milhões, redução de 31,2%.

A retração foi registrada em seis dos sete primeiros meses de 2026. Apenas em julho as importações superaram, ainda que ligeiramente, o valor observado no mesmo mês do ano anterior: US$ 23,6 milhões, ante US$ 22,9 milhões em julho de 2025.

O comportamento é relevante em uma economia industrial. Parte das importações realizadas por municípios com atividade fabril está relacionada à aquisição de matérias-primas, componentes, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Por isso, uma redução das compras externas pode acompanhar períodos de menor atividade industrial, embora os dados municipais, isoladamente, não permitam atribuir toda a movimentação a uma única empresa.

Em Porto Feliz, porém, a coincidência entre a interrupção da maior operação automotiva do município e a queda do comércio exterior é expressiva.

Enquanto as exportações totais recuaram 61,1%, as importações diminuíram 31,2%. Mais significativo ainda é o desaparecimento praticamente completo, logo após o temporal, de um dos produtos diretamente relacionados à atividade da fábrica atingida.

Temporal afetou cadeia de produção da Toyota

Os efeitos da paralisação não ficaram restritos a Porto Feliz.

Depois do temporal, a Toyota suspendeu também a produção em Sorocaba, onde são montados veículos da marca. A montadora informou posteriormente que a retomada dessas operações dependeria inicialmente do fornecimento de motores e peças provenientes de fábricas no exterior.

A dimensão dessa dependência ajuda a explicar por que um evento climático ocorrido em uma única unidade industrial teve reflexos sobre outras etapas da produção.

Antes do temporal, a Toyota já havia anunciado investimentos para ampliar a fábrica de Porto Feliz e preparar a unidade para a produção de sistemas de motorização híbrida. O plano fazia parte de um programa de R$ 11 bilhões em investimentos da companhia no Brasil até 2030.

Os dados do comércio exterior mostram que, quase um ano depois do vendaval, Porto Feliz ainda apresentava volume de exportações muito inferior ao registrado antes da interrupção da fábrica.

Entre janeiro e julho deste ano, o município deixou de exportar aproximadamente US$ 44,9 milhões em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Mais do que uma oscilação estatística, a sequência dos números revela a dimensão econômica de um evento que, em poucas horas, interrompeu uma cadeia industrial que ultrapassava os limites do próprio município.

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